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MÉDIO ORIENTE

 

Se as Más Desculpas

um Telefonema Curioso

No dia-a-dia dum jornal acontecem coisas invulgares e curiosas. Pelo telefone, às vezes, recebem-se chamadas anónimas, com cariz de insulto por termos dado nomes certos a atitudes erradas, mas, a maior parte das chamadas, identificadas, são por erros que publicamos nas Tabelas dos Jogos (a culpa é da nossa Lusa, infelizmente sem remédio).

No entanto, há uns 4 meses atrás, a chamada que atendi foi mais “preciosa”. O rapaz identificou-se: Sou judeu e chamo-me Paulo. Falava com sotaque brasileiro e disse de rompante:

Têm de ver bem o que escrevem no vosso jornal. O artigo que publicaram há 2 semanas não diz a verdade sobre Israel. Deviam estar melhor informados.

Eu, por acaso, tinha lido, só dias antes, esse dito artigo (publicado a 14 Out. 2002). Mas, ao ouvir a identificação dada pelo interlocutor - sou Judeu, calculei qual fosse o problema.

Respondi: “O artigo foi transcrito doutro jornal, e está assim identificado e fala da questão dos americanos e do petróleo. Mas qual é a parte ou o parágrafo a que se está a referir?

“Bush quer manter a guerra na Palestina. Não quer que Sharon abandone o território, até fazer desapa-recer Yasser Arafat... Enquanto Bush pressionava as Nações Unidas para invadir o Iraque, a administra-ção americana fazia deslocar para Israel grande quantidade de material de guerra sofisticado, para manter em silêncio os países do Médio Oriente.

Israel está armado até aos dentes, possui a bomba atómica, armas químicas e biológicas. Tem armas e dinheiro do orçamento geral do Estado americano”.

Perguntei: É falso que Israel está armado até aos dentes com armas atómicas, químicas e biológicas?

Paulo: “Israel não está em posição de atacante. É só para a sua própria defesa. Só para se defender!”

E eu avancei: Se o senhor quiser pode-nos enviar a sua opinião para a publicarmos, devidamente identificada. Eu não estou a par é deste facto de haver dinheiro do orçamento americano para Israel...

“Por ano são dados 4 biliões do orçamento americano a Israel” - respondeu-me Paulo.

Continuei: Se os Palestinianos não têm o mesmo tipo de arsenal e até atacam os militares de Israel à pedrada, conforme vemos em imagens na TV, como é que as pessoas vão acreditar nessa TÃO GRANDE sofisticação só para se defender?

“Vocês, Europeus,
são todos pró-Palestina, pró-Árabes!”

Respondi: “talvez seja então melhor controlar tam-bém as imagens nas televisões para não podermos ver, nos écrans do mundo inteiro, pedras contra militares pesadamente armados. Além do mais, eu própria sou de origem judia e orgulho-me da minha ascendência árabe. Não me faz diferença alguma ser fruto do cruzamento de duas culturas ibéricas. E, para o senhor saber, gosto muito de História e foi para mim um choque, há 3 anos, quando visitei o Pavilhão de Israel durante o Festival Caravan International em Toronto, e pude verificar, com os meus olhos, que lá se tinha montado uma completa aldrabice histórica e geográfica quanto à Palestina-Israel. É de lamentar que, sem qualquer vergonha, se metam os pés pelas mãos e se desrespeite a verdade da História dos Povos.

O telefonema acabou tão falho de DIÁLOGO como começou. Há de facto, muitos olhos que vigiam a VERDADE - inconveniente para alguns - para que as Más Desculpas possam justificar o ARMAR até aos dentes duns e o DESARMAR doutros.

25/Fev./2003, M.J.F.


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Toronto,
17/Março/2003
Edição 772

ANO XXIII

   
   
  
  

 

 

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