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PONTA DELGADA BOMBARDEADA

 

Os elementos essenciais, contribuíndo p'rá composição desta crónica, foram escrupulosamente recolhidos do livro ''Os Açores e o Cintrolo de Atlântico'', piblicado em 1993, da autoria de Antóni José Telo...

Em Outubro de 1961 a Almenanha contava cerca de uma centena de submarinos, 58 dos quais em patrulha no Atlântico. Em quarto meses regista-se o afunamento de 757 navios aliados, incluíndo o ataque á cidade do Funchal (a 3 Dezembro) pelo U-38 alemão.

A deficiência na defesa da ilha da Madeira torna-se sinal de alarme p'rá situação dos arquipélagos de Cabo Verde e dos Açores. O govêrno português exige e responsabiliza o govêrno ingleês pela defesa das ilhas. Naturalmente por carência de recursos disponíveis, a Inglaterra limita-se a insistir com Portugal p'ra manter maior vigilância e enviar reforços p'rá defesa das respectivas ilhas

Aparentemente, a marinha portuguesa não dispensou grande importância aos Açores até 1917. Originairmente, a defesa naval do arquipélago açorianos esteve confiado á conhoneira AÇOR, totalmente incapaz de enfrentar um submarino alemão e absolutament desprovida p'ra vigiar adequadamente as zonas da inteira e vasta costa insular.

Em Ponta Delgada, por exemplo, existiam apenas duas baterias compostas de cinco antiquadas peças, retiradas de antigas canhoneiras coloniais. Montadas em duas peq uenas elevações (Espaldão e Mãe de Deus), essas baterias podiam considerar-se simplesmente irrisórias; o ângulo de tiro era pêssimo, o alcance pequeno e a cadência lenta. Mas na Horta a situação era ainda pior, com uma única bateria de peças em tão mau estado que os artilheiros, ao disparar, temiam pelas suas proprias vidas!

Entre Fevereiro e Abril de 1917, eleva-se a 977 o numero de navios afundados pelos submarinos alemães. É wntão (Abril 1917) que os Estados Unido entram em guerra, alterando sidnificativamente o control do Atlântico. Até aqui os Açores não tinham sido ''visi tados'' por submarinos, mas a Alemanha cobiçava as ilhas como ponto interméido importante duma possível ''carreira urbana'' (passe a expressão) p'ra atingir a costa americana.

O plano era superlativamente óbvio. Visto que as ilhas portuguesas mostravam-se pouco ou nada protegidas, seria este o local ideal p'ró reabastecimento em alto-mar dos novos cruzadores-submarinos, mesmo que este fosse por outros submarinos.

Os Estados Unidos estavam igualmente apercebidos da importância dos Açores, facto que não é de todo sensacional, uma vez que os americanos sentiam-se preocupados com a defesa das suas próprias costas. A Inglaterra, mais preocupada em desenroscar-se duma previsível derrota, reconhece a urgência em montar um ponto de apoio nos Açores, mas acolhe o alvitre com a condição dos Estados Unidos assumirem inteira responsabilidade.

A ironia desta atitude traduz-se no facto de que, desde 1898, o polo das relações políticas entre a Inglaterra e Portugal assentava precisamente em impedir que outro potência viesse instalar-se nos Açores. Com a ''entrega'' das ilhas aos americanos, a Inglaterra pretendia justificar-se que estava a fazer um sacrificio, quando afinal tenciona evitar o impensável - ser derrotada no mar!

Mas vamos adiante que a procissão ainda está no adro...

En fins de Maio (1917) o consul americano, em Ponta Delgada, recebe um comunicado do seu govêrno indagando se as ilhas podiam receber um depósito de dez mil toneladas de carvão, p'ra serem usadas como ponto de apoio intermédio pelos navios aliados atravessando o AtlÂntico. Embora surpreendido, o consul, responde que as companhias Bensaúde e outras dos Açores têm um contrato exclusivo no fornecimento do carvão com o Almirantado inglês, que controla ao pormenor a sua distribuição.

Mas, de qualquer modo, o consul recomenda Ponta Delgada como o melhor porto natural p'rá instalação do depósito de carvão. E é assim que logo depois da consulta entre a Marinha american e o Almirantado inglês, (ignorando Portugal por completo por completo nestas negociações), chega a Ponta Delgada o cargueiro Orion p'ra descarregar o carvão. Isto aos 18 de Junho... uma data a fixar, pois que a xxprocissãoxx vem-se aproximando.

Aconteceu que o cargueiro, por avaria na hélice, teve de permanecer ainda no porto após o descarregamento. Com a popa colocada em terra, resultou que uma peça de 100 mm ficasse nums poição alta, com excelente ângulo de tiro, por cima do quebra-mar. Ora é justamente nestas circunstâncias, p'las três horas do dia 4 de Julho, que surge pertante Ponta Delgada um submarino alemão!

Tratava-se do antigo submarino-cargueiro Deutschland, agora transformado em unidade de com bate e cruzerio, com o nome de U-155. Sem sequer tentar afundar os navios no porto, o submarino alemão entra a disparar imediatamente sobre a cidade, apontado especificamente p'rá zona do cais e do depósito de carvão. Por feliz acaso, a tripulação do ORION reage rápidamente ao inimigo. Trava-se, então, um duelo de artilharia, que dura cerca de 12 minutos e obriga o submarino a submergir.

Escorraçado, sem dúvida alguma, mas apa-rentemente refeito do susto, o U-155 reaparece á tona d'água, e desta vez concentra-se únicamente em alvejar o ORION, mas sem nunca acertar na pontaria. Os americanos não se fizeram rogados, e respondem como se estivessem a celebrar o Fourth of July(Dia da independência), obrigado o inimigo a pôr-se novamente em fuga

Consta que, neste entrementes, as baterias portuguesas participaram no tiroteio, mas tendo em conta o alcance limitado de tiro das mesmas, seria preferível chamar-lhe um tiroliro de penacho...

Certamente p'ra dar alívio ao ressentimento, que refervia entre a tripulação, U-155 ainda permaneceu nas proximidades de Ponta Delgada até ás nove horas da noite, tendo interceptado uma pequena embacarção de pesca e capturado os chicharros p'ro resto da viagem!

Em terra, porém, houve festa rija. Os americanos foram aclamados heróis pela população, e o respectivo comandate, tenete J.H. Boesch, passou a ter o seu nome e foto usados numa marca de charutos.

Em consequência do ataque do U-155, a marinha portuguesa improviso uma rêded metálica contra torpedos em Ponta Delgada, enviado ainda o aviso ''5 de Outubro'', que ali permaneceu (17 de Julho - 12 d'Agosto) apenas p'ra mostrar a bandeira, e sem préstimo algum p'ra operações defensivas ou ofensivas. O mesmo atributo simbolico aplica-se ás curtas estadias, em 1917, da canhoneira Ibo e contra-torpedeiri Douro.

Agora, á laia de post scriptum, resta-me acrescentar que aos 26 de Julho, novamente sem o conhecimento prévio das autoridades portuguesas, chegava a Ponta Delgada a primeira divisão naval americana, constituída pelo avisoUSS Panther e cinco destroyers. Embora sem estatuto oficial, cumpre acentuar o ulterior significado desta presença: - Daí até ao fim da geurra as ilhas passaram a ser uma base da United States Navy! Califorlândia, 17-Março-03



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Toronto,
7/Abril/2003
Edição 775

ANO XXIII

 
      Por: Ferreira Moreno


 

 

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