LEIA
 » VISITANDO O PIER 21
 » LEMBRANÇAS
   DE OLEIROS
 » " ENCONTRO
   INESPERADO
   " C O N T O
 » Fernando Feliciano
   de Melo
 » EM OFF
 » DIA DOS AÇORES
   EM TORONTO
 » CRÓNICA PICOENSE
 » Edições Anteriores
 
DIA DOS AÇORES EM TORONTO

 
Um espinho na garganta de alguns?

Pelo segundo ano consecutivo, vai ter lugar em Toronto a celebração do Dia dos Açores. Desta feita transferido para Agosto devido ao contratempo da epidemia de pneumonia atípica, mas com o entusiasmo de sempre por parte dos promtores e da comunidade açoriana em geral. O promotor do evento é um grupo encabeçado pela Casa dos Açores e pelo Centro de Divulgação Açoriana no Canadá, duas instituições com bastantes e assinaláveis provas dadas no correr dos anos. Por conseguinte, promoção feita por instituições e entidades de créditos firmados, sem necessidade de autopromoção, muito menos dispostas a fretes eleitorais.

Eis que, de repente, corre pela comunidade açoriana de Toronto a notícia de estar em marcha, no segredo dos deuses, um outro Dia dos Açores, orquestrado por alguém em fúria autopromocional, pelos vistos renegando o PSD com que diz simpatizar, e ao que parece respaldado pela responsável das comunidades.

Talvez este núcleo, visivelmente acossado pelo desejo de apresentar serviço a um eleitorado cada vez mais fugidio, cada vez crítico, cada vez mais irritado com as arbitrariedades e abusos que se vêm verificando no que às comunidades diz respeito, cada vez mais revoltado com o excesso de dinheiros públicos esbanjados com afilhados e compadres, talvez este núcleo julgue, ao tomar este encargo que ninguém lhe pediu, que está a prestar um grande serviço comunitário. Mas está apenas, e só, a dividir ainda mais a comunidade, a criar focos de contestação insanáveis, a semear ventos de que, fatalmente, colherá tempestades. Porque os emigrantes não são parvos e porque de estúpidos os açorianos não têm nada.

É muito claro o jogo destes intelectuais que, à falta de talento, vivem pendurados na mamadeira dos dinheiros públicos, nada sabendo produzir sem esses dinheiros. A estratégia política já se vinha a desenhar há longos meses, mas ficou clara após um encontro de associações no Porto, cujas conclusões finais teriam sido, segundo se diz à boca pequena, da autoria dum terceirense que, a partir da Califórnia, parece querer pisar tudo e todos para servir a sua ambição sem freio.

Estratégia destinada ao rotundo fracasso, como já deixaremos ver.

Os clubes, associações e escolas em mãos de açorianos, no Canadá, são o produto duma emigração que deu tudo quanto podia dar e a mais não é obrigada. Sendo o tempo outro e havendo novas gerações, contando com alguns académicos e estudantes, licenciados e profissionais qualificados, compreende-se que estes sintam necessidade de clubes que possam satisfazer outras necessidades intelectuais e culturais. Espera-se que os concretizem, a esses clubes, e quanto mais depressa, melhor, de modo a congregar a parte de juventude que se revê nesses parâmetros. Mas espera-se que esses clubes sejam independentes e não parasitas dos meios financeiros dos clubes, associações e escolas que já existem há dezenas de anos, a maior parte deles sem nunca ter recebido um único apoio oficial.

Se os subscritores dessa estratégia pretendem, como parece, querer impor uma cultura erudita a clubes de cultura eminentemente popular, fazendo tábua rasa do esforço feito pelos que chegaram primeiro a estas terras, porque aos políticos do poder agrada esse totalitarismo e por ele está disposto a abrir os cordões da bolsa pública, colocando os seus apaniguados em lugares-chave, então só podemos ter pena deles. Porque são cegos e ignorantes. Não sabem onde vivem e com quem vivem.

É que a esmagadora maioria dos emigrantes de primeira e segunda geração pertence à cultura popular, não tem nada a ver com os gravatinhas académicos, sedentos de poder e promoção, sempre com um olho nas pastas da Cultura, nas reitorias das Universidades, nas cadeiras do Parlamento, nos livros a publicar, esses que são os únicos e grandes beneficiários do esbanjamento dos dinheiros públicos. A governação dos Açores anda por mau caminho. Nem ao menos há a coragem duma remodelação governamental séria, severa, que dê alguma credibilidade aos seus agentes quando visitam as comunidades de emigrantes.

- José Graciano da Rosa Medeiros
Ontário

 



Copyright © 2002, VOICE Luso Canadian Newspaper Ltd. First Luso Canadian Paper to Jump on the Net! For more information contact [email protected]
 
Toronto,
19/Maio/2003
Edição 781

ANO XXIII

   
   
   
  

 

 

  Desenvolvimento - AW ART WORK