LEIA
 » UM PRIMEIRO
  MINISTRO MEDROSO
 » AÇUCENAS, LÍRIOS
   & MITOS (2)
 » " ENCONTRO
   INESPERADO
    " C O N T O
 » MONÇÃO Autarca
   baleado
 » EM OFF
 » Comunidades EUA
 » CRÓNICA PICOENSE
 » Edições Anteriores
 
AÇUCENAS, LÍRIOS & MITOS (II)

 

Informa-nos a mitologia que a lírio branco (açucena) brotou do leite de Hera, e tornou-se num símbolo de pureza em contraste com a rosa de Afrodite. Salomão, no Cântico dos Cânticos, escreveu:

"Eu sou a flor do campo e a açucena dos vales. Como a açucena entre os espinhos, assim é a minha amada entre as donzelas (...) Os teus seios são dois filhos gémeos de gazela, pastando entre açucenas(...) o teu ventre, monte de trigo rodeado de açucenas."

Cristo deixou dito:

Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles." (MATEUS 6: 28-29)

São sobejamente conhecidas as referências tecidas acerca da beleza da açucena e formosura do lírio, remontando mesmo aos tempos da antiguidade.

Uma lenda semítica lembr-nos que a açucena ou lírio nasceu das lágrimas derramadas por Eva ao ser expulsa do paraíso terreal.

E uma outra lenda adianta que as açucenas eram amarelas originariamente, mas quando Nossa Senhora se preparava para apanhá-las elas tornaram-se brancas.

Na Inglaterra dá-se o nome Our Lady's Tears (Lá- grimas de Nossa Senhora) a uma planta da família dos lírios, cujas flores exudem fragrância e apresentam-se na forma de campaínhas.

Salvo erro, podem identificar-se com os lírios-do-vale que mencionei na primeira crónica desta série. Também me consta que na Noruega a deusa da primavera ficou tão desolada com a frialdade do território que rasgou o seu vestido verde, e com um punhado de neve criou os lírios-do-vale. P'rós índios Cherokee (U.S.A.), foi a graciosa alvéloa que, na subida a um monte, marcou um carreiro com pedrinhas brancas numa folha, as quais formaram raízes na terra e transformaram-se em lírios-do-vale com a aparência e som de campaínhas, saudando a alvéloa no regresso.

Embrenhando-me numa caterva de livros, descobri que as flores do lírio-do-vale devidamente tratadas servem p'ra fins medicinais em casos de doenças, seria longo enumerar. Presentemente esta planta é usada na produção duma droga valiosa p'rá cura de enfermidades do coração. Não me admira , pois, que os lírios (em geral) tenham servido em rituaus de feitiçaria ou bruxaria. Mas diga-se em abono da verdade que o sumo do lírio é recomendado contra picadas venenosas, enquanto as folhas e raízes aliviam queimaduras e dissolvem tumores e inchaços.

Considero igualmente curioso que o lírio , às vezes, serve p'ra representar a alma, e outras vezes é o símbolo de gente efeminada e cobarde.

Evidentemente que há vários tipos de lírios. A lista é longa e dela destacarei apenas o tiger lily que em português é conhecido pelo nome de lírio tigrino ou mosqueado, visto apresentar umas pintas ou manchas escuras.

Rezam as lendas que um eremita coreano arrancou uma seta das patas dum tigre e ficaram amigos. Quando o tigre morreu, pediu ao eremita que usasse as suas artes mágicas e o conservasse na sua companhia. O corpo do animal ter-se-ia transformado então no lírio tigrino. E quando o eremita afogou-se no rio, o lírio tigrino multiplicou-se e espalhou-se por toda a parte à procura do seu amigo e benfeitor.

A variedade de açucenas apresenta diversos cambiantes tais como as cores branca e amarela. Bem assim os lírios apresentam-se -nos em cores variadas, quer brancas quer roxas, como poéticamente deixo demonstrado nas seguintes quadras populares:

Lírio branco , lírio branco ,
Nado na ponta do pico;
Dá-lhe o vento, dá-lhe a chuva,
Cada vez é mais bonito.

Lírio branco, lírio branco,
É flor de admiração;
Tira o sentido de mim,
Qu'eu já te disse que não.

Lírio branco, flor d'empenho,
Meu peito já foi teu vaso,
Já te quis, já te não quero,
Já de ti não faço caso

Lírio branco, não me prendas,
Olha que não me seguras,
Qu'eu já tenho arrebentado
Outras algemas mais duras.

Perguntei um dia ao lírio
Se me tinhas afeição;
Lá foi o lírio saber,
Mas respondeu-me que não.

O lírio junto da rosa
Faz mais bonita figura;
Um rapaz sem rapariga
É como uma noite escura.

Lírios roxos são tristezas,
Lírios brancos alegrias;
De lírios brancos e roxos
São formados os meus dias.

Lírio roxo na funda vala
É o retrato da tristeza;
Quanto mais dizes que não,
Mais te amo com firmeza.

Lírio da cor roxa
É flor da minha paixão,
Por ser da cor da tristeza
Que trago no coração.

Lírio roxo é sentimento,
Bem sentida qu'eu bem sou;
O coração não me pede
Qu'eu áme a quem me deixou.

O lírio roxo é meu,
Que o apanhei pelo pé;
O meu coração é teu,
O teu não sei de quem é.

Eu plantei e não pegou
Lírio roxo na estrada;
tua feição é morena,
Morena mas engraçada.



Copyright © 2003, VOICE Luso Canadian Newspaper Ltd. First Luso Canadian Paper to Jump on the Net! For more information contact [email protected]
 
Toronto,
2/Junho/2003
Edição 783

ANO XXIII

 
      Por
Ferreira Moreno

   


 

 

  Desenvolvimento - AW ART WORK