LEIA
 » Espanha considera
   “lamentável”
 » NAS ILHAS
   COM A SENHORA
   DA BOA VIAGEM (2)
 » " O CARPINTEIRO "
 » Droga no arquipélago
 » EM OFF
 » Comunidades/EUA
 » CRÓNICA PICOENSE
 » Edições Anteriores
 
A esperança já morreu e não sabe.
Alguém precisa avisar

Às vésperas de completar 180 dias à frente do governo brasileiro, Lula mostra-se ambíguo, tanto quanto FHC, na condução da coisa pública. O presidente mostra uma outra cara quando nomeia petistas e negocia cargos com partidos políticos aliados, dando seqüência à tradição brasileira do nepotismo... se tem notícia de um governo haver decepcionado tanto, em apenas cinco meses, quanto o do PT, sob a presidência de Lula da Silva, o Lulinha Paz e Amor.

No campo administrativo, ninguém poderia imaginar que um operário humilde, chegando à Presidência, fosse reformar para perseguir, tirar direitos, reduzir e confiscar salários.

Sob o aspecto político, o governo segue aquele velho princípio marxista de que os fins justificam os meios. Os acordos e negociações para formar sua ''base de sustentação'' obrigam qualquer um a levar o lenço ao nariz. As barganhas envolvem até o Itamaraty, que, ao longo dos anos, sempre se viu poupado da ação nefasta da politicalha.

Como se nada disso bastasse, o PT também se tem comprometido sob o aspecto moral, ele que nasceu pregando ética na política. As Comissões Parlamentares de Inquérito sempre foram o palanque preferido do PT, em todas as áreas, particularmente naquelas envolvendo dinheiro público.

Hoje, a Nação testemunha esse mesmo PT empenhado em sabotar a apuração de um dos maiores escândalos da República, operado através do Banco do Estado do Paraná: a remessa irregular de trinta bilhões de dólares para o exterior, envolvendo figurões da política e do empresariado.

Primeiro, torpedeou a CPI do Senado para apurar a maroteira. Criada posteriormente na Câmara, o Planalto está contra ela. O presidente da Casa, o petista João Paulo, já prometeu a Lula da Silva ''que a CPI será instalada, mas não funcionará na prática. A estratégia é impedir que as sessões tenham quórum'' (Folha de S. Paulo, 14/6).

Como é que o governo de um partido que tanto pregou a ética na política adota semelhante comportamento diante de rumoroso escândalo?

E ainda, às vésperas de completar 180 dias à frente do governo brasileiro, Lula mostra-se ambíguo, tanto quanto FHC, na condução da coisa pública. O presidente mostra uma outra cara quando nomeia petistas e negocia cargos com partidos políticos aliados, dando seqüência à tradição brasileira do nepotismo e patrimonialismo. O governo parece ter-se transformado em propriedade de amigos ideológicos, com uma distribuição indiscriminada de cargos para ''companheiros'' incompetentes e apoiadores circunstanciais. Os exemplos estão à vista de todos, bastando citar quatro ou cinco nomes dos atuais ministros.

Além da incompetência de certos ''companheiros'', o PT inaugura uma nova forma de nepotismo, de alto nível, nunca antes vista na história política da República. É a chamada ''cota das companheiras'', ou seja, emprego público para esposas de astros e ministros do PT em Brasília.

Essa prática, aliás, que está disseminada nos três poderes da República, particularmente, no Legislativo e no Judiciário, não havia chegado ainda ao nível do primeiro escalão do Executivo Federal. E os patrocinadores desses cargos são, em geral, autoridades com passaporte de esquerda que vivem de gesticulação revolucionária e de ficções verbais. Falam de distribuição de renda e de justiça social, ao mesmo tempo que detêm, nas repartições públicas por eles dirigidas, cargos polpudos para mulher, filhos, genros e noras.

É uma forma de corrupção, travestida de legalidade, pois canaliza o dinheiro dos cofres públicos para os seus bolsos, sem a contrapartida honesta dos serviços. E o Brasil continua miserável, apesar de tantos discursos. Aos poucos se vai comprovando o que os conservadores (donos do país) afirmaram, antes das eleições: o próximo candidato a presidente, para vencer, só precisa dos votos dos arrependidos. Pois bem, atolado na incompetência diante dos problemas nacionais, o PT decepciona também porque está mostrando que aquela pregação moral, nas praças públicas e na TV, não era para valer.

* Paulo J. Rafael é jornalista, professor universitário e doutorando em Ciências Políticas e Administração Pública pela AWU- American World University of Iow



Copyright © 2003, VOICE Luso Canadian Newspaper Ltd. First Luso Canadian Paper to Jump on the Net! For more information contact [email protected]
 
Toronto,
30/Junho/2003
Edição 787

ANO XXIII

   
   
    * Paulo J. Rafael
   Direto do Brasil
   

 

 

  Desenvolvimento - AW ART WORK