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Quem nos avisa, nosso amigo é!

Temos visto, tanto na imprensa nacional como regional, alguns artigos de sentimento castelhanófilo ou iberizante que, ora tentam fazer dos Portugueses o povo mais insignificante e infeliz da terra, ora abertamente defendem a União Ibérica.
Sabendo-se qual tem sido o desfecho deste propósito nos últimos duzentos anos e conhecendo-se bem o descrédito a que têm sido votados os defensores de tal infeliz ideia desde há duas centúrias, tais artigos deveriam merecer a nossa indiferença.
Mas, o dever irrefragável de servirmos Portugal e de pugnarmos pela liberdade e independência da nossa Nação convoca-nos irrecusavelmente para o mister de denunciar a perniciosidade de tais pensamentos e a gravidade dos projectos que eles visam edificar.
Poderíamos expender um rol interminável de argumentos teóricos para rebater tais demagogias, falsidades e idiotices. Mas, pela sua eloquência, talvez nos baste divulgar a reflexão que de Maiorca nos chega pelo testemunho recentíssimo do catalão Miquel Adrover:
"Todas as declarações de amor ibérico são muito bonitas, extremamente estéticas e, por vezes, práticas. Mas atenção: uma coisa é o amor e outra o casamento.
Acho que nós, catalães, estamos bem situados para falar, desde dentro, do que acontece no Estado espanhol, como ele se conduz perante as "comunidades autónomas" de fala não espanhola. Seria muito grave se Portugal, à força de declarações de amor, fosse meter-se ele mesmo na boca do lobo. Muitas vezes o catalão é fácil de compreender para quem fala português. "Poente" diz-se, na nossa língua, "Ponent". Nós temos a Espanha ao poente. E a nossa experiência criou há tempo dois refrães que, suponho, vós portugueses poderão compreender: "De Ponent, ni bon vent ni bon casament" e "De Ponent, ni vent ni gent".
Conhecimento mútuo? Excelente! Amor, também. Mas casamento? ...
Na minha opinião, seria muito imprudente se Portugal prestasse ouvidos aos cantos de sereia espanhóis. A Espanha nunca renunciou a dominar Portugal (politicamente, economicamente, etc.). E estou a observar, em muitos portugueses que conheço, uma espécie de complexo de inferioridade, de resignação perante a Espanha. E acho que isso é muito perigoso".
Como bem diz o nosso povo português: "Quem nos avisa, nosso amigo é!"


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Toronto,
7/Julho/2003
Edição 788

ANO XXIII

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