LEIA
 » ELEIÇÕES À VISTA
 » NOVAS DA SENHORA
   DA BOA VIAGEM (1)
 » Mais uma vitória
 » Chicharro sem solução
 » Consulado português
    em Goa
 » EM OFF
 » Antigo bacalhoeiro
    “Creoula”
 » CRÓNICA PICOENSE
 » Edições Anteriores
 

Na Ilha de S.Miguel
excedentes de chicharro sem solução

Toneladas de peixe para o lixo

Milhares de quilos de chicharros têm sido destruídos em São Miguel, ao abrigo do "programa de retirada", por excesso de capturas.

A situação tem causado profundo mal-estar entre diversos sectores da população para quem não é fácil aceitar que se mantenham preços elevados de venda ao público daquele produto (mais de dois euros, nas principais superfícies comerciais de Ponta Delgada), enquanto que tanta quantidade é lançada para fora, para além da que é também depositada no mar.

A situação é de tal modo grave que Liberato Fernandes considera que no meio de tudo isto há irregularidades que importa denunciar. Neste momento, diz Liberato Fernandes, está a fazer-se mercado paralelo com o pescado e enquanto, por exemplo, nas lotas há excesso, o mercado é abastecido clandestinamente. Aquele responsável pela Associação "Porto de abrigo" vai mais longe e diz que a Inspecção Regional das Pescas é ineficaz e que as actividades económicas deveriam ter uma palavra sobre o assunto, bem como as próprias brigadas da GNR.

"Estamos de tal modo que nem há capacidade de gerir o volume de capturas, porque os negócios subterrâneos não são geríveis e quando existe grande volume de pescado que se processa ilegalmente, a situação é incontrolável".

Alguma da "retirada" de peixe que é feita, tem origem nesses "negócios subterrâneos" de fuga e esta não pode ser controlada.

De resto, o preço de retirada é baixo, não chega a um euro por quilo e tem sido feita pontualmente, embora com alguma frequência mais recentemente. Para Liberato Fernandes, é esta uma das situações que requer uma intervenção à medida das autoridades. Quanto à questão das descargas de peixe nas lixeiras, diz Liberato Fernandes, não tem havido outra alternativa. A Associação "Porto de Abrigo" e os próprios serviços da Lota, no dizer daquele responsável, têm diligenciado oferecer peixe a instituições de solidariedade que, muitas vezes, têm dado como resposta que não possuem capacidade de armazenamento do pescado.

Poderá haver limitação de capturas, mas não é fácil fazer este controlo, já que o próprio pescador sabe que a partir de 400 quilos por embarcação não há lugar a qualquer ajuda.

Por outro lado, nos Açores, e apesar de algumas diligências já feitas nesse sentido, não há a tradição da transformação do chicharro em conservas. Liberato Fernandes realça que apenas uma fábrica "A Corretora" labora este tipo de peixe e mesmo assim em quantidades reduzidas. "Se comprar 4 ou 5 mil quilos, durante umas semanas tem peixe para laborar", disse.

O armador e presidente da APASA - Valdemar Oliveira - confirmou esta questão ao "Correio dos Açores", afirmando que a grande questão que se põe é a do mercado. "O chicharro é comido nos Açores, na Madeira e um pouco nas comunidades emigrantes". No continente e na Europa, esse tipo de conservas não tem qualquer expressão económica e tem mesmo pouco consumo.

Por outro lado é inviável o transporte do Chicharro, em fresco, para outros mercados, porque o preço do transporte é muito superior em quilo, ao preço do peixe, o que o coloca fora de qualquer concorrência.

No entanto, Valdemar Oliveira, reconhecendo que a "retirada" é feita ao abrigo de legislação comunitária, que obriga à destruição do pescado, compreende as apreensões do público, custando-lhe a admitir que no meio de tantas carências alimentares, a solução seja deitar os excedentes ao lixo.

Atum: um "Sorriso" temporário

Durante alguns dias, os Açores registaram a passagem de vários cardumes de atum e há registo de cerca de 800 toneladas pescadas nas últimas semanas, uma situação que veio trazer novo ânimo aos armadores e pescadores.

No entanto Valdemar Lima Oliveira manifesta cautelas quanto aos próximos dias, porque tudo indica que se tratou de uma passagem esporádica que não tem tendências de se manter. Valdemar Lima Oliveira advoga mesmo que a situação tem de ser seguida com muita atenção para se poderem tirar conclusões fiáveis.

In «Correio dos Açores»



Copyright © 2003, VOICE Luso Canadian Newspaper Ltd. First Luso Canadian Paper to Jump on the Net! For more information contact [email protected]
 
Toronto,
14/Junho/2003
Edição 789

ANO XXIII

   
   

 

 

  Desenvolvimento - AW ART WORK