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NOVAS DA
 SRA. DA BOA VIAGEM (2)

 

António Lourenço da Silveira Macedo, no primeiro dos três volumes "História das quatro ilhas que formam o distrito da Horta", prefacia o vigésimo capítulo com os seguintes dizeres: "Sendo a paixão dominante dos nossos reis a fundação de igrejas e conventos onde muitas pessoas reais se encerravam aborrecidas do bulício do mundo, do que a história nos apresenta milhares de exemplos, eram estes factos em todo o reino imitados pelos principais como sucede."

Incluída nesse capítulo encontramos a história da Ermida de N. S. da Boa Nova, (Horta, Faial), a que se viria juntar o Convento do Carmo, por mim já mencionados préviamente, e aos quais volto a referir-me agora com a transcrição de pormenores extraídos do supracitado capítulo.

Silveira Macedo informa-nos na sua narrativa que, em 1639, o capitão-mór Francisco Gil da Silveira e sua consorte D. Helena de Boim testaram parte dos seus bens p'rá fundação duma ermida dedicada a N. S. da Boa Nova, num sítio próximo duma quinta onde eles residiam, determinando que no altar, além da imagem da Senhora, fosse também colocada uma imagem de S. Bento.

Pouco depois falecia o capitão-mór, mas a viúva tratou imediatamente em construír a ermida, aonde todos os dias santificados vinha um padre franciscano celebrar missa. Ora aconteceu, a esse tempo, terem chegado ao Faial (vindos do Brasil a caminho de Lisboa) dois padres carmelitas, que não só visitaram a ermida bem como instituíram uma irmandade de N. S. do Carmo ou do Bentinho, como ficou popularmente conhecida após a partida dos carmelitas.

Lembrou-se, então, D. Helena em construír um pequeno hospício junto á ermida a fim de servir de hos-pedagem aos padres carmelitas, que ali aportassem na ida ou volta p'ró Brasil. Dito e feito, ou seja, tudo se executou após aprovação régia (9/Setembro/1649) e licença do provincial carmelita (30/Novembro/1650). aos 22 de Dezembro de 1651 procedeu-se á escritura entre a fundadora e a Ordem Carmelita, "com a obrigação de se fazer anualmente a festa de N. S. da Boa Nova e de N. S. do Carmo com sermão."

Devido ao aumento dos redimentos auferidos pelo convento, o edifício foi ampliado em 1678, tendo-se iniciado em 1698 as obras de construção do espaçoso templo, "que hoje existe no mesmo lugar em que estava a primitiva ermida", até que "finalmente em 1797 ficou concluido o frontispício da igreja, e deu-se começo a um novo convento claustral de que apenas se fez metade, achando-se nesse estado quando foi extinto em 1834." (Vol. I, Ed. 1871).

Senhora da Boa Nova,
Quando casada me veja,
Vou-me subir de joelhos
Os degraus da vossa igreja.

Senhora da Boa Nova,
Miro-te com tanto enleio,
Estou esperando a nova
De trazer um filho ao seio.

Do Faial ao Pico a distância é relativamente curta. Atravessando o canal, chega-se á freguesia das Bandeiras e aí encontramos N. S. da Boa Nova como padroeira da sua igreja. É um templo amplo, com um exterior harmonioso onde ressaltam duas torres muito típicas. O corpo principal está dividido em três naves por duas séries de seis arcos. Quer o retábulo do altar-mór, quer os dos laterais, são de talha bastante singela. Diz-nos Guido de Monterey que a primeira pedra desta igreja foi lançada a 1 de Novembro de 1845, concluíndo-se as obras em 1871, embora apresente no frontispício a data de 1860. Danificada pelo terramoto de 23 de Novembro de 1973, foi restaurada em 1978.

Convém realçar que este templo foi construído no mesmo local onde existiria anteriormente a primitiva igreja das Bandeiras, conforme esclareceu o Padre Júlio da Rosa, amigo de longa data, através do seguinte apontamento:

cerca da origem desta igreja e dos começos da respectiva freguesia pouco ou nada se conhece. No entanto, sabe-se que a respeito de uma e outra já há documentos datados de 1723, o que nos leva a concluír não ser a actual a primitiva igreja. Na verdade, sabe-se por outras fontes que a actual igreja paroquial das Bandeiras acabou de concluír-se em 1871, graças aos esforços do respectivo vigário Padre Manuel Joaquim de Serpa, o qual conseguíu que a Repartição de Obras Públicas levasse a efeito a sua construção precisamente ao sítio da primitiva igreja.

Trata-se dum templo vasto, de 48 metros de comprimento, atraente, com as suas duas torres e com bem trabalhada pedra no frontispício. Interiormente dividido por três naves, apresenta agora as respectivas pilastras limpas da caliça de que haviam sido cobertas. Este trabalho de limpesa deve-se ao Cónego Raul Camacho, quando vigário-ecónomo, e que procedeu a outro importante trabalho de restauração. Os seus retá-bulos são interessantes, embora não exibem talha em profusão. O Santíssimo está no altar-mór em sacrário condigno, encontrando-se no mesmo altar a imagem de N. S. da Boa Nova, orago do lugar e alvo de concorrida romaria, por parte das freguesias limítrofes, em 8 de Setembro de cada ano."

Com a devida vénia, aqui deixo transcritos os elementos fornecidos pelo Padre Júlio da Rosa ao jornal "Açores", aquando da promoção do Grande Concurso Popular "Histórias das Igrejas & Ermidas dos Açores."

Antes de seguir p'rá Terceira, julgo imperativo "fazer paragem" na Graciosa p'ra saudar a Senhora da Boa Nova, cuja imagem se encontra á veneração dos seus devotos numa ermida muito antiga, situada na Vila de Santa Cruz.

A Senhora da Boa Nova,
Está virada p'rá rua,
Está vendo se vê entrar
Alguma devota sua.

Senhora da Boa Nova,
Minha terna santinha,
O teu nome é uma prece
Qu'eu te rezo, santa minha.

Trata-se da ermida do Corpo Santo, mencionada por Gaspar Frutuoso e sucessivos cronistas dos séculos passados.

Porém, não é minha intenção tecer um panegírico á sua antiguidade, mas tão somente apontar a curiosidade que a rodeia, ou seja, o facto desta ermida ser igualmente conhecida com o nome de N. S. da Boa Nova. Tal se deve á presença duma imagem de Senhora no retábulo da capela. Esculpida no século vinte, esta imagem é, consequentemente, bastante recente e foi adquirida com esmolas, vindas sobretudo da América do Norte.

O Padre Vital Cordeiro Dias Pereira descreve-a como sendo uma imagem muito linda representando Nossa Senhora, "levemente inclinada p'rá frente, segura na mão direita a pomba branca do Espírito Santo que faz menção de oferecer a quem a venera, e com a mão esquerda ampara o Menino Jesus, de pé, sobre a coxa de sua Mãe santíssima." (Igrejas & Ermidas da Graciosa, Pg. 235, Ed. 1986).

Senhora da Boa Nova,
Lindinha cheia de graça,
Abençoai-me nesta hora,
Que a saudade me abraça.

Minha fidalga Senhora,
Da Boa Nova chamada,
És luzente arrebol
Ao romper da madrugada.

Senhora da Boa Nova,
Acudi ao meu pedido:
Acudi ao meu amor,
Que anda na guerra metido.

A Senhora da Boa Nova
Mandou-me agora chamar;
Tinha o seu manto roto,
Que lh'o fosse arremendar.



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Toronto,
21/Julho/2003
Edição 790

ANO XXIII

 
      Por
Ferreira Moreno

   


 

 

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