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UM ESCÂNDALO COM ADOLESTECENTES
NO LAR DE SANTA MARIA GORETTI, NA TERCEIRA, ESTÁ A DESPERTAR A MAIOR INDIGNAÇÃO DA POPULAÇÃO

Nos últimos dias, e desde a passada quarta-feira, que a RTP através de todos os seus canais e serviços noticiosos, tem dado ao grande público conhecimento do que se vinha a passar desde há alguns anos no Lar de Santa Maria Goretti, em Angra do Heroísmo, estabelecimento fundado há perto de cinquenta anos, e que tem servido de abrigo a crianças e adolescentes do sexo feminino.

Segundo um trabalho da jornalista Marta Silva, foi dado na televisão pública portuguesa conhecimento de que algumas «irmãs» tratavam da pior maneira possível muitas das internas do mesmo estabelecimento de assistência social, o qual tem sido apoiado financeiramente pelo Governo Regional dos Açores.

Uma fuga de algumas internas permitiu, finalmente, que fosse dado ao grande público conhecimento do que desde há perto de uma década vinha acontecendo no Lar de Santa Maria Goretti. No noticiário da RTP é dado o demoimento de Maria Viveiros, de 17 anos, que diz ter sido por uma freira espancada com um cinto. Por sua vez Rosa Sousa afirmou que por vezes chegou a comer rissóis que eram tirados dos baldes de lavagem para os porcos.

Uma outra interna, em afirmações à televisão, revela que eram dados comprimidos às internas para as obrigarem a dormir, e que quando alguma se atrevia a ser mais forte, chamavam o médico Madeira, que lhes aplicava injecções que as deixavam prostadas na cama dois e três dias.

Na televisão é afirmado ainda por uma ex-interna de que foi por uma «irmã» esfregado palha de aço na boca à aluna Maria, a qual foi no dia seguinte para a aula com vestígios da agressão.

Outro dos factos relatados era o castigo aplicado no «quarto escuro». Aí permaneciam alguns dias, só com a comida por baixo da porta e um balde para satisfazerem as necessidades. Quanto a dormir, era no chão frio de pedra. O mais curioso de toda esta situação que agora surpreende o público é o tempo que tudo isto demorou a chegar ao conhecimento das autoridades do Ministério Público e Polícia. Segundo é revelado já há alguns anos que se sabia que algo de anormal ocorria na instituição que é tutelada pela Diocese de Angra de Heroísmo.
Só agora é que alguma comunicação social dos Açores começa a dar algum espaço ao caso. Da edição de sábado, 19 do corrente, transcrevemos alguns parágrafos do matutino «Diário Insular»:

«As alunas sofriam maus tratos por parte das freiras que, ironicamente, estariam responsáveis por lhes dar o lar, o abrigo, a família que elas procuravam. Para além das normais bofetadas, obrigavam-nas a comer restos de comida, ou comida de três e mais dias; esfregavam-lhes a boca com “palha de aço”, e no caso de alguma aluna ter fugido, a coisa mudava de figura: fechavam-na num quarto escuro, por tempo indeterminado, obrigavam-na a dormir no chão, “ofereciam-lhe” um balde para fazer as suas necessidades, e a comida (os restos) era dados por baixo da porta. Outra das situações de maus tratos que está a levantar polémica, é o facto de estar envolvido um médico, que exerce a profissão no Hospital de Angra do Heroísmo, cúmplice de alguns crimes. É que, de vez em quando, quando uma aluna se portasse de forma não desejada, as freiras pediam a presença desse médico naquela Instituição onde, então, ele lhes administrava injecções e comprimidos de dose tal que a “paciente” chegava a dormir dois dias e mais.

Já há alguns anos que se ouve falar em determinados procedimentos menos correctos relativamente ao tratamento das alunas. No entanto, e como de sempre, nada se fez. Os relatos das alunas remontam ao ano de 1994, quando o então Ministro da República havia visitado a Instituição, e as alunas o puseram (da forma conseguida) a par de algumas situações. Mais tarde, em 1997, referem ter apresentado queixa contra as freiras e, mais uma vez, o caso foi arquivado. O Secretário Regional da Solidariedade e Segurança Social afirma que “o caso, o processo, só chegou à Secretaria em Fevereiro deste ano (...) e já foram tomadas as precauções possíveis de momento. O processo será avaliado e tomar-se-ão as medidas necessárias”.

A Diocese de Angra não quis comentar o facto. O Bispo D. António, que não se encontra na Região (chega hoje da Madeira) lamenta o sucedido. Quanto ao Director da Ordem dos Médicos, também não se quis pronunciar sobre o assunto, alegando ter que avaliar o caso para depois se pensar na suspensão do Médico, ou não.

«Voice» pode adiantar que por deliberação do Governo Regional dos Açores o Lar de Santa Maria Goretti vai ser encerrado no fim do mês, e as diversas adolescentes que lá estavam internadas acabam de ser transferidas para serviços de apoio da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória.



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Toronto,
21/Julho/2003
Edição 790

ANO XXIII

   
   

 

 

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