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Famílias açorianas começam a entrar na zona vermelha

A banca teme pela saúde financeira das famílias açorianas. Há gente que já entrou na zona vermelha. A grande fatia vai para o crédito à habitação, mas a gota de água é o chamado crédito pessoal.

As famílias açorianas estão cada vez mais endividadas e muitas delas já entraram mesmo na zona vermelha, o que significa que estão em vias de não cumprir com as suas obrigações bancárias. Segundo dados de uma importante instituição bancária nacional que tem vários balcões dos Açores, o crédito à habitação come uma fatia muito importante dos orçamentos de diversas famílias, mas não constitui o maior problema.

As situações críticas surgem quando as famílias juntam ao crédito à habitação outros créditos, com destaque para a compra de viaturas e o chamado crédito pessoal, que não raras vezes é utilizado para passar férias.

O crédito automóvel é considerado particularmente perigoso, uma vez que há formas de adquirir automóvel a crédito que escapam ao controlo bancário e que podem constituir a gota de água que desequilibra um orçamento familiar.

Um estudo agora feito detectou mesmo que há famílias que já entraram num ciclo vicioso em que empréstimos anteriores são pagos com os recursos a novos empréstimos, o que significa que entraram em insolvência técnica.

Inconsciência da crise

A situação retratada pelo estudo em causa também acontece a nível nacional, mas começa a inverter-se lentamente, sobretudo porque as famílias estão a reagir à chamada crise restringindo o consumo.

Nos Açores, pelo contrário, o discurso da crise parece não ter consequências na apetência das famílias para gastarem tudo o que ganham e nalguns casos para viverem acima dos rendimentos. "O Governo Regional sempre disse que a crise não estava a chegar aos Açores e isso motivou os açorianos, transmitindo-lhes confiança e incentivando a sua recente apetência para o consumo", disse o gerente de um balcão açoriano do banco cujo estudo vimos citando.

Segundo anotou, o envolvimento dos açorianos na sociedade de consumo é recente, mas "eles entraram de cabeça". Segundo explicou, "num passado ainda recente a tendência era para a poupança, mas a partir de um determinado momento o consumo com recurso ao crédito disparou para números que ninguém esperava".

Na Terceira, disse, o principal marco nesta reviravolta foi o sismo de um de Janeiro de 1980. "As pessoas começaram a lidar com muito dinheiro e com empréstimos bancários, coisa que nem sequer conheciam. A partir daí nunca mais pararam...", disse.

Consequências

O estudo em causa - que é feito periodicamente nos Açores pela mesma instituição de crédito e que serve apenas para uso interno - aponta para a necessidade de a concessão de crédito nas ilhas passar por um crivo cada vez mais fino.

É notado que uma família ou um indivíduo podem entrar em falência a qualquer momento e se assim acontecer, o vencimento só é penhorável até um terço, o que significa que muitas situações podem ficar a descoberto.

O que tem salvado as famílias açorianas até agora são os juros baixos. "Se os juros subirem, mesmo que a subida não seja muito significativa, a situação ficará muito crítica para muita gente", disse a nossa fonte.

O principal receio da banca, segundo foi possível perceber, é ver-se obrigada a tomar posse de bens em grandes quantidades, como sejam casas, prédios rústicos, automóveis e mesmo mobílias e electrodomésticos. A depreciação dos preços no mercado poderia levar a perdas substanciais e nalguns casos difíceis de explicar face aos critérios normais de atribuição de crédito.



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Toronto,
4/Agosto/2003
Edição 792

ANO XXIII

   
   

 

 

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