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SÃO JOÃO HOJE É NOTÍCIA


A descoberta da Ilha do Pico, foi feita por volta de meados do século quinze. Não tinham aqueles que a povoaram a noção das belezas interiores que a mesma encerra. Passados tantos séculos e apesar dos meios de que hoje dispomos as pessoas Picarotas, muitas delas, há ainda que não conhecem “por dentro” a sua e nossa Ilha. Não tenho qualquer rebuço em afirmar, que hoje os turistas que nos visitam conhecem muito mais da Ilha do que nós, como é o meu caso e por isso disso me penitencio. Os recantos paisagísticos que estão camuflados a cada passo, são duma beleza tal que melhor deviam ser assinalados e divulgados. É que a Ilha não dispõe apenas das “vistas” da Montanha, do Cachorro, das Lagoas, dos três Casteletes, (Lajes, Prainha e Piedade), do Topo, do Arrife, de São Miguel Arcanjo, da Terra Alta e de muitas outras que são vendidas para turista visitar com tempo sempre muito restrito, porque têm de apanhar a lancha e ir dormir para o Faial.

Na semana que passou fui com um familiar até São João uma seis das freguesias de que é formado o concelho das Lajes e como o tempo de espera era relativamente longo, deambulei com a minha viatura por caminhos “todos asfaltados”, - diga-se de passagem – e dei de caras com espaços desconhecidos e muito bem urbanizados, o que prova mais uma vez que o dinamismo das pessoas que se encontram à frente das autarquias, é sinónimo de progresso e desenvolvimento, aqui aproveito a oportunidade para destacar o Presidente da Junta de Freguesia e da Casa do Povo, José Armindo Alves Gonçalves. Quase no início da freguesia para quem circula na estrada regional na direcção da Madalena, encontramos o Moinho da Ponta Rasa, pertença de um particular, que o cedeu à Associação para a Salvaguarda do Património Cultural de São João “O Alvião”, que com o apoio da Junta de Freguesia, o utiliza e zela.

Ao subirmos as escadarias muito cuidadas para a visita, deparámos na sala da engrenagem com um mini posto de turismo, onde me foram fornecidas informações, bem como aos outros visitantes e onde podemos adquirir vários artigos de artesanato cujos proventos revertem para a instalação da casa Museu da Associação já em adiantada fase de restauro. Este moinho em óptimo estado de conservação é o paradigma e a identificação do progresso daquela freguesia, que ainda hoje é dividida em Companhia de Cima e Companhia de Baixo, - divididas no lugar do Palmo de Gato -, epíteto que vem de longa data e do tempo em que na Ilha existiam as milícias do Rei. Estas milícias eram formadas por companhias que eram colocadas nos agregados populacionais para a defesa das populações dos ataques dos piratas e não só. Havia naqueles tempos a permissão de em todos os estabelecimentos se pudessem vender pólvora para uso e defesa pessoal. Ao sair do recinto envolvente onde está implantado o moinho, um pouco mais à frente deparamos com um Ramal, o antigo Caminho Velho, que vai dar ao Porto e que passa primeiramente por um conjunto de casas que foram totalmente recuperadas e cuja traça foi integralmente respeitada, mais um projecto de pessoas empenhadas e dinâmicas que deste modo ajudam a revitalizar o seu povoado. À esquerda na direcção do Porto e em lugar recatado encontramos a Piscina Natural das Areínhas de José Vieira, no sítio de Santo António, nome que advém da Ermida cujo patrono é o santo do mesmo nome, aquela foi edificada no final do século dezassete por ordem do Sargento Mor António Pereira Bettencourt. Serviu inclusivamente de Igreja Paroquial entre os anos de 1719 e 1729 devido à destruição da Primeira Igreja erigida no lugar da Arruda e arrasada pela erupção vulcânica de 1718.

Nela se manteve o culto do Santo pregador até ao século dezanove, altura em que a mesma foi abandonada e até profanada. O seu actual proprietário João Humberto Silva Cardoso, em boa hora a mandou ricamente restaurar, tendo sido inaugurada e integrada no culto no dia 5 de Agosto do ano jubilar de 2000. Alguns dos seus artigos foram desviados para outros lugares, como foi o caso da Pedra de Ara, que está na Igreja Paroquial de São Bartolomeu na Silveira e da primitiva imagem que está na Igreja Paroquial de São João. A imagem actual, foi esculpida propositadamente para a Ermida ora recuperada e encontra-se em lugar de destaque no seu trono, todo emoldurado em retábulo de madeira ricamente dourada e primorosamente restaurada, talvez a única peça de arte que restou da primitiva Ermida. Estes dados foram recolhidos do papiro emoldurado e que no interior da mesma, descreve a história daquele templo.

Mas descendo as escadarias em pedra lavrada que conduzem do Adro ao Caminho Velho e seguindo na direcção do Porto, deparamos novamente com várias casas recuperadas. Na subida e na direcção da Igreja Paroquial, - muito afectada pelo sismo de 9 de Julho de 1998 e umas das que aguarda “pacientemente” pela sua integral recuperação -, vislumbramos a imponência do Restaurante Marisqueira, ponto obrigatório de paragem e um lugar privilegiado para se saborearem os mais apetitosos pratos típicos da Ilha. Mais à frente entramos no Caminho do Verdoso (continuação do Caminho Velho) e passamos pelo Poço do Verdoso, pelo Poço do Adimouro, cuja zona envolvente foi toda urbanizada e é um dos pontos de atracção e lazer da freguesia, que inclui uma piscina natural e mais à frente, prosseguindo no dito Caminho, encontramos o Poço da Arruda em frente da baía com o mesmo nome, cuja zona recuperada é um autentico preito de homenagem aos primeiros povoadores. Ali há um empedrado todo feito com pedra roliça (pedra lisa da costa), retirada da baía e a escadaria de acesso à parte alta da freguesia, onde passa a estrada Regional, vai confinar no rodo da Aguada ainda na Estrada Regional, perto do Caminho do Poço (para o Adimouro), através duma monumental escadaria composta por 365 degraus, tantos como os dias do ano. Toda esta obra arquitectónica é novamente feita com pedra roliça e um verdadeiro repositório do verdadeiro património do nosso povo.

Mais à frente e sempre no Caminho da Costa há uma bifurcação de caminhos. Um que conduz ao lugar de São João Pequenino e outro que vai dar a São Caetano. E já que referimos São João Pequenino, anoto que é um dos vários parques de que a nossa Ilha é pródiga e não apenas do da Quinta das Rosas, como maldosamente li outro dia num panfleto de propaganda turística, editado por Entidade Responsável. É o Parque de São João Pequenino o mais visitado e aproveitado da Ilha e um dos mais pitorescos.

A sua envolvência é um hino ao poder concretizador do homem e da natureza que fundiram esforços para sublimar a solidariedade humana. Um lugar obrigatório para uma visita. Regressando agora na Estrada Regional, mas desta vez em direcção à Vila sede do concelho das Lajes, encontramos a Canada do Arrasto à esquerda, a Rua do Outeirinho à direita, o já mencionado Caminho do Poço, também à direita, o Palmo de Gato, onde encontramos a única Fábrica de Lacticínios, - havia mais duas mas desapareceram -, o Edifício da Casa do Povo e onde em frente foi implantado o Monumento ao Pastor e à Pastora, há pouco inaugurado; a Canada do Alferes José Pereira onde existe mais um moinho de vento, movido com palhetas e a Canada do Almance (seria Álamo Manso?) estas duas canadas à esquerda, mais à frente à direita o Ramal para o Porto e sobre a esquerda o Caminho dos Matos de São João e... os caminhos de Santo António e Caminho Velho já ficaram para trás, porque deixámos a freguesia e rumámos em direcção às Lajes. Antes de terminar quero referir que na freguesia encontramos uma Escola do Ensino Primário, uma sucursal da ADJ, - casa com computadores para laser e consulta da juventude -, vários cafés e minis mercados, uma oficina de reparação de veículos automóveis, para além de uma Loja de confecção, uma cabeleireira, vários barcos de boca aberta utilizados na pesca artesanal, muitas explorações agro-pecuárias e a funcionar com o apoio da Casa do Povo, o Centro de Convívio da Esperança, talvez um dos mais activos da Ilha, constituído por “jovens” da chamada terceira idade.

Muito mais havia a referir acerca da freguesia de São João, mas o espaço e a paciência dos leitores não o permite, por isso por aqui me fico, apresentando as minhas desculpas...

Até para a semana, se...Deus quiser!




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Toronto,
4/Agosto/2003
Edição 792

ANO XXIII

    Por: Paulo Luís Ávila

 


 

 

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