LEIA
 » VENDENDO
   CHOURIÇOS?
 » POMBAS BRAVAS &
  QUADRAS POPULARES
 » Annual
   Barbeque 2003"
 » Vegetarianismo:
   Um mundo de sabores
 » Cinema - Anotações
   para o futuro
 » Leitores
 “virtuais” são homens
 » EM OFF
 » SARDINHAS
   PARA OS EMIGRANTES
 » CRÓNICA PICOENSE
 » Edições Anteriores
 
A SILVEIRA EM FESTA!


Para muitos já é a nova freguesia do século vinte e um. Para outros continuará a ser um lugar da freguesia das Lajes do Pico, que engloba as paróquias de São Bartolomeu (Silveira) e a da Santíssima Trindade (Vila).

Quando há anos este lugar foi elevado a paróquia, (muitos o escolheram para edificarem as suas adegas e hoje elegeram-no como é local privilegiado para habitação), já na mente dos Silveirenses perpassava a ideia da desvinculação à freguesia mãe.

Desde que fixou residência na Silveira o Comendador Manuel Eduardo Garcia Vieira, possuído de grande dinamismo e tenaz iniciativa, fruto da experiência adquirida em terras do Brasil e da Califórnia, onde é o primeiro produtor mundial da batata, colocou-se ao serviço daquela paróquia e daquele ainda lugar das Lajes.

Na sua mente engendrou um dia a realização dum Salão Comunitário para congregar o povo daquele e doutros lugares vizinhos para a realização de eventos culturais, sociais e recreativos. Hoje o seu sonho concretizou-se, porque foi inaugurado o Salão e espaços circundantes, ficando para sempre ligado em corpo e alma ao lugar que o viu nascer e o celebrizou. Não é fácil alguém da mesma terra conseguir o que ele conseguiu. Moveu "céus e terra", para alcançar o seu objectivo. É um feito pessoal, mas com projecção universal. De todos os lados conseguiu demover espíritos acanhados e transformá-los numa dinâmica de movimento catalisador da construção e da obra que aí está. É no dizer do José Pereira Mancebo o "Silapi" (pseudónimo que usa para os seus versos), que em mensagem enviada para ser lida no dia do encerramento das festividades: "o maior edifício arquitectado e erigido, depois da Igreja e da Capela do Sábado do Espírito Santo, na Silveira".

O Salão da Silveira como passou a ser conhecido é um espaço amplo e vocacionado para todo o género de Festas. O seu palco é um dos melhores do País bem como a luz e o som. A cozinha tem todos os exigências indispensáveis para fornecer jantares a mais de trezentas pessoas num mínimo espaço de tempo. A sala de convívio e bar, ampla e bem mobilada, dispõe dum grande televisor onde todos podem assistir aos jogos de futebol que mais impacto trazem no panorama futebolístico Nacional e Internacional. Mas...voltando à Festa, escreverei sobre o que me foi dado assistir a começar pelo Cortejo Etnográfico realizado no Domingo dia dezassete, cujo tema versou "Silveira de ontem - Silveira de hoje", muito bem conseguido e organizado. Há muito que não víamos tão grande número de figurantes e não assistíamos ao desfile de tantos carros alegóricos, entre eles o carro de dois bois e de um só boi. Foi o voltar ao passado numa vertiginosa viagem que nos apaixonou e deleitou, mas quando acordámos a realidade era bem outra. As mais modernas máquinas e tractores agrícolas, as ordenhas mecânicas e os meios de transporte sofisticados que hoje puseram de parte os carros de bois, também estavam a passar diante dos nossos olhos nostálgicos. Muito trabalho e mérito não é por demais fastidioso louvar. Foi talvez o momento mais empolgante destas festividades, pelo seu simbolismo e pela sua história, ali vivida e comprovada. Depois do desfile actuou o Grupo Folclórico e Etnográfico Ilha Morena da Casa do Povo de São Mateus, sendo no final da actuação muito aplaudido. Seguiu-se de imediato o içar das Bandeiras: Portuguesa, da Região, da Comunidade Europeia e do Centro Social. A Sessão Solene de Inauguração, foi presidida pelo Presidente do Município Lajense, Cláudio Lopes e de imediato actuou a Tuna do Centro Cultural da Silveira e depois desfilaram pela ordem que se seguem o desempenho dos Grupo Coral da Silveira (que se estreou naquele dia), do Grupo Coral das Ribeiras (Santa Cruz) e do Grupo Coral das Lajes do Pico, acabado de chegar do estrangeiro e foi sem dúvida a atracção da noite, passe a vaidade. No intervalo foram oferecidas medalhas comemorativas do evento a diversas personalidades.

No dia seguinte (18), as bandas filarmónicas de São Mateus e da Madalena deram um concerto, no átrio da entrada e a seguir o grupo de teatro "Mutieramá", apresentou a peça "Alucinados" com texto de Lou de Olivier e a encenação do actor Picoense, natural de São João, Nelson Monforte. Aqui deixo o registo e os nomes dos actores que actuaram, porque é justa e sincera a homenagem que lhes presto, uma vez que o seu desempenho foi realmente notável, com realce para a figura central da peça Carmo Costa, a "Olívia Aparecida", mas Mário Goulart, Bárbara Ávila Pacheco, Margarida Tavares, Eduardo Bettencourt, Bernardete Madruga, Juliana Inácio e Virgínio Madruga, complementaram-na.

No dia dezanove subiram ao palco para cantarem e encantarem o público com as suas maviosas e bem timbradas vozes os cantores: Eduardo Bettencourt e Bárbara Pacheco, muito bem "acolitados" pelo Filipe Fernandes nas teclas. No entanto a atracção da noite foi sem dúvida o Manuel Canarinho, o José Ferreira (o rouxinol de Coimbra), o Manuel Francisco Costa Jr. e o Fernando Cardoso este último a manusear o teclado. Foram momentos de música inesquecíveis, que empolgaram a plateia.

O dia vinte e dois foi o culminar das solenidades com um jantar de encerramento oferecido a muitas centenas de convidados, seguindo-se uma noite de fados em que intervieram as já consagradas fadistas Raquel Vieira (Faialense), Arminda Alvernaz e Cidália Maria (Faialense, ao tempo conhecida como a Amália Açoriana). Elejo sem favor a actuação da nossa Picoense Arminda Alvernaz que alguém a defeniu nestes termos: "Ela dá vida ao fado, quando o canta!"

De dezasseis a vinte e dois de Agosto p. p. a Silveira foi o polo para onde se direccionaram muitos Picoenses, para duma forma ou de outra participarem no bem elaborado programa. Aproveito o ensejo, para daqui enviar um forte abraço de Parabéns ao seu Presidente da Direcção, Manuel Eduardo Garcia Vieira e a todos os Silveirenses ausentes e residentes e duma forma generalizada aos Picoenses, que a partir de agora tem mais um espaço de convívio. Bem Hajam!

E para terminar lembro que ontem começou mais uma Semana dos Baleeiros na Vila das Lajes, dela escreveremos em próxima crónica.

Até para a semana, se...Deus quiser!




Copyright © 2003, VOICE Luso Canadian Newspaper Ltd. First Luso Canadian Paper to Jump on the Net! For more information contact [email protected]
 
Toronto,
15/Setembro/2003
Edição 796

ANO XXIII

    Por: Paulo Luís Ávila

 


 

 

  Desenvolvimento - AW ART WORK