LEIA
 » CÂMARA DE TORONTO
   E O PARTIDO LIBERAL
   MUDAM DE DIRECÇÃO
 » TEMPO P'RA CHÁ
 » Fazer como
   os Espanhóis
 » HOMENAGEM
   AOS PIONEIROS
 » Universidade
   dos Açores
 » INDEPENDÊNCIAS...
   e Consulados...
 » EM OFF
 » Casa do Alentejo
 » CRÓNICA PICOENSE
 » Edições Anteriores
 

PRESIDENTE DO GOVERNO AÇORIANO
PRESTA HOMENAGEM AOS PIONEIROS
QUE EMIGRARAM EM 1953
PARA O CANADÁ
A convite da Presidência do Governo Regional dos Açores, deslocaram-se a Ponta Delgada oito pioneiros açorianos que há 50 anos emigraram para o Canadá. Em cerimónia realizada no passado Sábado em sua homenagem, no Palácio de Sant'Ana, Carlos César, Presidente do executivo da Região Autónoma dos Açores, proferiu o discurso que transcrevemos na integra.

"Assinalamos, nesta cerimónia, um momento da nossa História particularmente simbólico, que se repetiu mil vezes, antes e depois desta aventura açoriana para o Canadá, num percurso de alvoroço e de confronto, entre o desejo de partir e a ânsia de retornar.
A partir de hoje temos, entre nós, durante oito dias, um pequeno grupo de pioneiros que há cinquenta anos rumaram ao Canadá, deixando atrás pequenas ilhas de desesperanças que agora revêem pejadas de novas gerações com muita confiança num presente de progresso e num futuro auspicioso.
A história da humanidade está norteada pelo signo da descoberta: desde a revelação de que o mundo é redondo, caminha-se para o esbatimento das distâncias e reformulam-se, a cada instante, as visões da vida.


Aspecto da cerimónia que decorreu no Palácio de Sant'Ana,
no momento em que discursava o Presidente do Governo
Regional dos Açores.

Essa descoberta, porém, andou sempre associada a um desejo de aperfeiçoamento e de busca sem descanso de melhores condições de vida.
Há cinquenta anos, vivia-se em Portugal sob um regime ditatorial que, como qualquer modelo semelhante, postergava para um plano de subalternidade o melhor da nação - as suas gentes. Nos Açores, então, sentia-se com intensidade o isolamento, a opressão e a inquietação pelo futuro. A partida era, para muitos de nós, a solução. Para o País era a exportação de um problema.
Mas, os Açorianos, quando estes conterrâneos pioneiros do Canadá superaram horizontes e foram dar ímpeto a uma grande nação multicultural, já haviam aprendido a seguir para o mundo, sulcando mares bravios, desbravando áfricas, arroteando brasis, laborando américas.
Com uma sabedoria experimentada em aventuras e ousadias, capacidades de sofrimento e de inventiva, tenacidade e fé, argúcias e desembaraços, desdém pelos imprevistos e deslumbramento perante o nunca dantes visto, os açorianos foram aprendendo o sentido da agora invocada globalização, integrando a terra pouca das suas ilhas na relativa grandeza dos continentes distantes, adquirindo a diversidade como bem, a dissemelhança como riqueza, o distinto como tesouro, a língua como utilidade, a cultura como honra, as origens como virtude. Estamos, neste dia, muito orgulhosos destes nossos irmãos que nos visitam e que trazem na sua bagagem decénios de histórias de vida, que partilharão connosco como alimento de fraternidade.
Partiram como lavradores de sonhos e lá chegaram como artífices e arquitectos de terras novas. Deles, ouvimos os ecos, tanto das boas notícias como da pouca sorte. Para os que triunfaram ou melhoraram na vida, valeu a pena partir e chegar; valeu a pena a força que foi precisa para trabalhar e criar raízes no novo mundo. Para eles, a ilha - mais do que uma limitação natural - foi local de partida para a liberdade. Deles estamos orgulhosos.
Mas os Açorianos estão também muito orgulhosos daqueles seus irmãos que um dia partiram para vencer - mas que… foram vencidos: vencidos pela tristeza, pela doença, pela fraqueza, pelo estranho, pelo inesperado ou pela má sorte.
Orgulhosos, porque eles também foram pioneiros, pois por "pioneiro" não entendemos apenas aquele que sobreviveu para contar as suas vitórias, ou para receber as homenagens de uma vida de sucesso; "pioneiro" foi todo aquele que, na medida da sua necessidade, da sua força, da sua coragem, do seu saber e da sua vontade, ousou dar um passo em frente, no desconhecido, desse modo contribuindo para abrir para os outros - os que optaram por ficar, os que não tiveram forças para partir, e os que ainda não haviam nascido - uma porta de esperança, acendendo para eles um farol no negrume das noites das suas vidas.
Voltam agora estes pioneiros às nove ilhas, que são agora os nove faróis da nossa vida. Encontram-nas iluminadas por uma nova era, distante do sufoco de outrora, inculcada de marcas de ambição e de desenvolvimento, de gente que se vai auto-governando, conquistando passo a passo a sua maioridade autonómica, consolidando a sua pertença a uma Região, edificando com denodo o mais e o melhor, procurando transformar injustiças e insucessos persistentes, e enovelando energias e vontades para que os que partiram também se orgulhem dos que ficaram.
Como Presidente do Governo dos Açores, que mais lhes posso dizer, senão - obrigado, por terem feito dos Açores um mundo. Obrigado por o recordarem, nesta cerimónia simples, com a vossa inesquecível presença. Obrigado pelo orgulho que sentimos - uns dos outros."



Copyright © 2003, VOICE Luso Canadian Newspaper Ltd. First Luso Canadian Paper to Jump on the Net! For more information contact [email protected]
 
Toronto,
17/Novembro/2003
Edição 805

ANO XXIII

   
   

 

 

  Desenvolvimento - AW ART WORK