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Da ficção à realidade onde vamos parar ?
A falida classe política brasileira libera carta de motorista e direito a voto ao jovem de 16 anos mas não o quer atrás das grades pagando por crimes que este comete contra a sociedade. Por que?

Amargo Pesadelo "Deliverance" de John Boorman , é uma produção cinematográfica de 1972 que narra uma triste ficção . Quatro amigos urbanos, entediados com a rotina de trabalho numa grande cidade, partem para uma aventura radical: descer de barco o rio Chattooga, nos Montes Apalaches (EUA). Busca de perigo e de contato com a natureza. No caminho, uma cena antológica: um duelo de um banjo (nativo) com um violão (da urbe).
Os perigos são maiores do que eles imaginam. Arriscam a vida nas correntezas do rio, num percurso acidentado. Mas a principal ameaça não é da natureza. Vem de seres humanos.
Três montanheses - caipiras americanos - observam os citadinos e decidem atacá-los. Um dos quatro rapazes da cidade é violentado sexualmente por um dos camponeses. Há reação dos homens da metrópole. O drama aumenta de intensidade. Não vou contar mais. Quem não viu o filme, procure-o nas locadoras de sua cidade. Amargo pesadelo é um ensaio sobre a maldade humana, a luta pela sobrevivência e o grande abismo entre a cidade e o campo. A disputa inicial entre os instrumentos musicais é premonição de toda a tragédia.
Liana Friedenbach, 16 anos, e Felipe Caffé, 19, adolescentes apaixonados paulistanos (ela, uma princesa judia, de classe média alta; ele, um rapaz estudioso, classe média batalhadora) tiveram um amargo pesadelo (real) em Embu-Guaçu, no interior de São Paulo, no começo deste mês. Saíram da cidade grande em busca da natureza e da liberdade. Mas, numa fazenda abandonada, foram atacados por feras humanas. Felipe foi assassinado logo, mas a garota sofreu muito mais. Além de ter ouvido o tiro que matou o namorado, passou pelo menos quatro dias em poder de três monstros, verdadeiras bestas que a estupraram repetidas vezes. Um deles - o que assassinou Liana a golpes de faca - tem a mesma idade dela. Estará solto (pronto para matar e estuprar mais outras Lianas) daqui a três anos. Ou menos.
A tragédia dos namorados paulistas reabre a discussão sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Inacreditável! A falida classe política brasileira libera carta de motorista e direito a voto ao jovem de 16 anos mas não o quer atrás das grades pagando por crimes que este comete contra a sociedade. Por que? Até quando teremos que suportar tanta crueldade, maldade e perversidade destes elementos irrecuperáveis. A quem interessa essa onda de violência que assola o país de norte a sul? Quando os políticos da "ilha da fantasia" vão acordar para esta triste realidade brasileira? Quem serão as próximas vítimas? Fica também o alerta de Ari Friedenbach, pai de Liana: os jovens de hoje precisam ouvir mais os pais. E eu acrescento: devemos parar de mentir, pois a mentira em nosso país mais parece uma instituição democrática.

* Paulo J. Rafael é jornalista, professor universitário e doutorando em Ciências Políticas e Administração Pública pela AWU- American World University of Iowa, EUA.



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Toronto,
24/Novembro/2003
Edição 806

ANO XXIII

   
   
    * Paulo J. Rafael
   Direto do Brasil
   

 

 

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