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OS SONHOS DOS BRASILEIROS

De acordo com antigas pesquisas, um dos grandes sonhos dos brasileiros é ser patrão. Ou pelo menos trabalhar por conta própria, ser "dono do nariz". Essa sempre foi uma tendência universal. Clichês de pobres que ficaram ricos não faltam no cardápio diário da socialização das crianças.
Um outro sonho é ganhar na loteria. Difícil é encontrar um patrício que não coloque a "sorte" nos seus planos de vida. Se não foi desta vez será da próxima que acertará sozinho os números da Mega Sena, ou de outra loteria, ou até milhar do jogo do bicho. Jogo é que não falta. Na política, os sonhos sempre aparecem. Os "50 anos em 5", de JK que prometia desenvolver o Brasil 50 anos nos cinco do seu mandato. A vassoura de Jânio Quadros que garantia varrer a corrupção, o atraso e outros males nacionais. Acabou varrendo o país para o buraco, depois de proibir o biquíni e as brigas de galo. Até que nesta segunda Jânio acertou.
Depois veio o sonho do "milagre econômico". Atrelado ao milagre, a promessa de transformar o Brasil, em dois ou três anos, em uma "potência" em um "país grande", que "ninguém segura"!... O que se conseguiu foi o aprofundamento da concentração de rendas, o crescimento da dívida externa, para não falar em exílios, torturas, assassinatos.
Passado o pesadelo do regime do "milagre", veio o sonho das eleições diretas que acabaram em indiretas, as quais deram origem à Nova República com o Plano Cruzado e à inflação zero por decreto. Superado esse novo engodo, o sonho não perdeu de vista as eleições diretas.
Acabar com os "marajás" e com as "elites", vestir os "descamisados", "dar um tiro na inflação", formaram a bandeira de maior sucesso. E tudo deu no que deu, não sem antes confiscar os depósitos em cadernetas de poupança e contas correntes. Outro sonho foi o do Plano Real, com a queda da inflação que deu a FHC prestígio nunca visto e lhe garantiu um segundo mandato.
Propagou-se e insistiu-se que era necessário privatizar estatais e diminuir o tamanho do Estado. Assim foi feito. Não só se privatizou empresas, como também se abriu as fronteiras de comércio, aceitou-se a globalização sem restrições como impunham os países ricos.
Este sonho se transformou em pesadelo com a desnacionalização da economia, a quebradeira das empresas nacionais, o aumento do desemprego e da pobreza. O Brasil, que já era campeão de baixos salários e concentração das rendas, agora é candidato a mais um título: campeão do desemprego.
Do oitavo lugar, em 1990, e o quinto lugar, em 1995, ocupa agora o terceiro. Perde apenas para a Índia e a Rússia.
As pesquisas hoje revelam que os maiores sonhos dos brasileiros, além, é claro, de ganhar na Mega Sena, é segurança e trabalho.
Mas a história continua, os brasileiros democraticamente elegeram Lula para substituir FHC, e deram-lhe a missão de honrar os votos recebidos e colocar a casa, digo, o Brasil em ordem. Mas parece-me que o novo presidente ainda não assumiu, ou melhor, continua deslumbrado com o poder e está fazendo acordos inaceitáveis que vão contra a cartilha e o programa do PT (Partido dos Trabalhadores). Além do mais, a imprensa divulga notícias alarmantes dando conta de que Lula estaria solicitando verbas do orçamento da União para efetuar gastos desnecessários com obras em sua residência oficial de Brasília. Ora, senhor presidente! O momento requer equilíbrio, trabalho, seriedade e respeito ao povo brasileiro! E tem mais: vamos procurar viajar menos e governar mais o Brasil! A violência está crescendo, o desemprego vai se expandindo, a fome aumenta, os preços dos alimentos começam a disparar nos supermercados e a quantidade de crianças, velhos, pedindo esmolas nas ruas, é algo assustador! Senhor presidente, vamos fazer como a Europa e os Estados Unidos, primeiramente, os filhos da terra, depois os estrangeiros. O que vale são os interesses nacionais, sem demagogia, sem a globalização e sem a interferência do FMI. Vamos valorizar mais o produto Made In Brasil, senhor presidente!

* Paulo J. Rafael é jornalista, professor universitário e doutorando em Ciências Políticas e Administração Pública pela AWU- American World University of Iowa, EUA.



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Toronto,
1/Dezembro/2003
Edição 807

ANO XXIII

   
   
    * Paulo J. Rafael
   Direto do Brasil
   

 

 

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