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Na Ilha Terceira
Carnaval já mexe

Todos os anos, no seio das direcções das sociedades recreativas da ilha Terceira, o Carnaval começa muito cedo e os acontecimentos que rodeiam a festa nem sempre são pacíficos, como está a acontecer este ano, numa agremiação dos Biscoitos. Segundo disse ao "Diário Insular" o presidente da Sociedade Filarmónica Progresso Biscoitense (SFPB), Manuel Loureiro Cota, "uma das questões que se coloca todos os anos é a de como gerir o acesso ao salão de festas sem ferir os sócios que pagam a sua quota e, ao mesmo tempo, manter o respeito e a hospitalidade em relação aos que vêm de fora, e nem sempre é fácil encontrar as soluções". Foi por isso que, para o Carnaval deste ano, ficou estabelecido que a entrada seria facultada a todas as pessoas, mas através de uma nova modalidade que pretende beneficiar os associados.
Segundo Manuel Cota, "eles pagam a sua quota de dez euros todos os anos e acabam por ficar de pé no Carnaval, por não ter mais direitos do que qualquer outra pessoa e isso tinha que acabar-se um dia, por isso decidimos dar prioridade aos sócios".
Com cerca de 300 sócios, dos quais aproximadamente 200 são pagantes, a SFPB conta com pouco mais de três centenas de cadeiras no salão, se bem que, nos dias de Carnaval, "a sala parece que cresce" e acabam por ficar muitas pessoas de pé a assistir às danças e bailinhos. Quando se fazem contas aos associados e familiares que quase sempre os acompanham, pelo menos teoricamente, "a sala nem dá para meia missa e depois há sempre muitas pessoas que vêm de outras freguesias e das cidades, porque não encontraram espaços livres, ou simplesmente porque gostam de estar neste ou naquele salão", diz. Apesar de a SFPB estar a trabalhar num projecto de obras para o seu salão, não se sabe quando é que este será possível de concretizar, pelo que "apenas temos que contar com o que temos", refere Manuel Cota. E para que os resultados este ano sejam os melhores, pelo menos no ponto de vista da direcção da Sociedade de Baixo, como é conhecida, "decidimos que pelo menos tínhamos que garantir uma cadeira a cada sócio, sem quaisquer encargos e que será dele, de pleno direito, ou de um familiar que com ele habite, durante os quatro dias em que as portas estão abertas para a actuação das Danças e Bailinhos de Carnaval", refere. De ano para ano aumenta o número de pessoas que frequentam os diversos salões e a procura por este tipo de espectáculo tornou-se uma verdadeira dor de cabeça para quem está à frente dos destinos das Sociedades Recreativas. Uma das tradições classificadas como más, pela actual direcção da SFPB, é o facto de todos os anos muitas pessoas aparecerem por vezes algumas horas antes e colocarem casacos ou outras peças de roupa nas cadeiras que escolhem e voltam mais tarde, já no início dos espectáculos.
"Não podemos continuar a manter as coisas neste estado", refere, adiantando que "os colegas de direcção apoiam esta decisão, que vai para a frente por muito que custe algumas pequenas discussões, que hão-de passar, porque as pessoas vão perceber que é para o bem de todos". Por outro lado, é notório, "e por vezes chega a ser mesmo um escândalo, quando se entra na sala e se constata que dezenas de pessoas ainda muito jovens se encontram sentadas, enquanto que alguns idosos se vêem obrigados a ficar de pé, por vezes empurrados contra as paredes pelas verdadeiras massas humanas que, graças a Deus, enchem o nosso salão".

In "Diário Insular"


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Toronto,
26/Janeiro/2004
Edição 814
ANO XXV

   
   
   

 

 

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