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VIVA DAVENPORT ...

E mais algumas reflexões sobre as próximas eleições para o governo do Canadá...

Mais uma eleição, e mais uma vez cá estou eu a proclamar a importância deste facto, que muitos habitantes des-ta terra sejam eles "canadia-nos" (aqueles que não são índios ou inuits e cujos antepassados estão cá há mais tempo do que nós), ou de outros grupos étnicos, tendem a ignorar como o prova o alto nível de abstenção ao acto eleitoral.

Embora muitas vezes ao proclamar a importância das eleições, eu me sinta um pouco como aqueles santos que pregavam no deserto, ou aos peixes, não me canso de chamar a atenção para a necessidade de nos envolvermos na escolha do governo. Por exemplo, o facto de termos escolhido, pelo menos os que votaram por ele, o Sr. Jean Chrétien para Primeiro Ministro em vez dos líderes do Partido Conservador ou da Aliança, hoje transformados numa organização única denominada pelos homens da extrema direita de Aliança, salvou os nossos jovens de irem matar os habitantes do Iraque e a ser mortos pelos cidadãos desse país uma vez que os como é sabido líderes desse partido queriam que seguissemos a linha política do Presidente Bush dos Esta-dos Unidos. Também o Canadá, estaria no topo da lista dos alvos dos tarados terroristas muçulmanos e fundamenta-listas como sucedeu à Espanha e à Itália, cujos governos enviaram as suas tropas para participar na invasão imoral e ilegal do Iraque. Infelizmente, pelo menos no que diz respeito à luta contra o servilismo ao governo do sr. Bush, Jean Chrétien está hoje reformado, mas felizmente não me parece que o sr. Harper o líder do partido da extrema do partido da direita a Aliança, que devorou o pobre antigo Par-tido Conservador, irá conseguir formar o Governo do Canadá e transformar este país no 51º estado dos Estados Unidos.

Estou a citar este exemplo, para lembrar ao leitor que tem filhos jovens como as eleições são importantes, para que evitem que a Aliança / Partido Conservador venha a enviar os nossos jovens para a guerra do Iraque ou outra aventura militar americana.

O mesmo se poderá dizer, no que respeita à defesa do nosso sistema de saúde e a luta contra a invasão deste país pela medicina privada, uma coisa boa para alguns médicos que ganharão mais e para os ricos que passarão a ter um tratamento de primeira classe. A introdução de medicina privada no Canadá terá consequências semelhantes ao que se passa nos Estados Unidos e até em Portugal em que é possível esperar por uma consulta dum médico meses, no sistema público e vê-lo no dia seguinte através do sistema de medicina privada, só por isso devemos ir votar na próxima eleição.

Eu por exemplo, tenho uma pessoa de família que vai ao médico em Portugal pago pela caixa da companhia em que o marido dela hoje falecido trabalhava, onde é vista por 2 minutos e depois vai visitar o mesmo clínico à sua clínica particular, aonde pa-gando por uma consulta cerca de 5 ou 6 vezes mais do que eu e os meus colegas recebemos no Canadá tem direito a uma consulta a sério, que dura 15 ou 20 minutos.

Não me irei alargar, mas queria, mais uma vez, chamar a atênção para a importância de participarmos na escolha dum governo que vai tomar decisões em assuntos que dizem respeito a assuntos tão importantes como a guerra ou a paz, saúde, os nosso empregos, impostos, segurança social, educação, política, justiça, etc.

Não merece a pena protestar depois, é preciso votar agora para defender os nossos direitos.Embora, mesmo de-pois das eleições, devamos continuar a lutar pelos nossos direitos, esta é a melhor altura de nos pronunciarmos. De-pois de eleger este parlamento e o governo não os pode-mos mudar durante quatro anos. Como diz o nosso povo depois das casas roubadas, trancas à porta.

POR ONDE ESCOLHER

Na realidade, com o nosso sistema eleitoral antiquado herdado de Inglaterra, que diga-se de passagem já desapareceu em muitos países da Commonwealth Britânica como a Austrália e Nova Zelândia, temos à escolha apenas 3 partidos com possibilidades de elegerem deputados para o parlamento federal do Canadá, que como é sabido funciona em Otava, e portanto do governo do país.

Interessante de notar, que com o movimento para a direita, que é comum em quase todos os países do mundo, na última década do século as coisas tornaram-se um pouco confusas para os votantes e os nomes dos partidos são um pouco confusos.

Começando pelo partido liberal cuja política financeira na década dos 90 foi dirigida pelo actual Primeiro Ministro Paul Martin, nessa altura mi-nistro das finanças, ele desviou-se tanto para a direita, que muitos membros do antigo partido conservador entraram para o partido liberal. Até o próprio Jo Clark, antigo Pri-meiro Ministro e líder do Partido Conservador aconse-lhou os canadianos a votarem Liberal. O actual partido liberal como ele mostrou nos cor-tes na saúde e educação nos anos 90 é na realidade um partido conservador de ideias liberais, aquilo a que nos anos 60 e 70 se chamava um Red Tory (conservador vermelho) como era o antigo primeiro ministro do Ontário Bill Davies. Enfim o partido liberal é hoje um partido conservador moderado, um dos tais "Red Tories", interessado em certa maneira em preservar as conquistas conseguidas na saúde, justiça, serviços sociais e independência nacional nos tempos de Pearson e Trudeau, embora algumas vezes com menos entusiasmo do que aquilo que nós gostaríamos.

E o partido conservador, - o tal a que os luso-canadianos baptizaram de "conservativo"- perguntarão os leitores, já um pouco confusos com esta história?

Nos anos 70, um senhor chamado Preston Manning ofendido porque os conservadores estavam a ser muito liberais, os tais "conserva-dores vermelhos", decidiu formar no Oeste do Canadá um verdadeiro partido de direita. Felizmente, estas extravagâncias morrem felizmente, ao chegarem à fronteira da Manitoba com o Ontário. Os anos passaram, e o tal partido, chamado Aliança só obtinha lugar no Oeste, sendo rejeitada pelo eleitorado vivendo para além da fronteira da Manitoba com o Ontário. Tendo constatado que nunca iriam ganhar os votos da população canadiana do Ontário, Quebeque, pro-víncias marítimas e Terra Nova, os estrategas da Aliança, conseguiram convencer o an-tigo partido conservador, atingido por uma crise depois da derrota eleitoral da única mulher, que conseguiu o lugar de Primeira Ministra do Canadá, Kim Campbell, a unir-se ao seu partido. A reunião teve consequências ca-tastróficas para os verdadei-ros conservadores, que foram dominados pelos fanáticos da Aliança. Como era de esperar, muitos deputados afastaram-se da política, como foi o caso do antigo Primeiro Ministro Jo Clark a que me referi enquanto outros ingressaram no partido liberal, hoje tão conservador, que nele se sentiram em sua casa.

Quanto ao terceiro partido, o NDP dirão alguns leitores, o que lhe aconteceu? Dirigido pelo sr. Jack Layton, um antigo vereador de Toronto de ideias bastante esquerdistas, também se desviou um pouco para a direita e está hoje quase semelhante ao partido liberal do tempo de Pierre Trudeau. A propósito, todos os aliados de Trudeau que restam como é o caso de Sheila Copps ou Lloyd Axworthy, afastaram-se ou foram afastados do partido liberal. Em conclusão, na minha opinião poderemos escolher entre um partido da extrema direita, pro-americano a Aliança hoje baptizada de partido conservador, um partido do centro de tendências conservadoras chamado Liberal e um partido do centro esquerda, o NDP.

E OS LUSO-CANADIANOS?

Não é de forma alguma minha intenção, convencer os meus leitores a votar no partido A ou B. Claro que se eles acham que está certo que os seus filhos vão matar e quem sabe morrer na próxima guerra que os americanos farão no Iraque, Cuba, ou sabe-se lá aonde, deverão votar pelo Partido Conservador/Aliança.

O mesmo se poderá dizer se forem ricos e quiserem ter um sistema de saúde de primeira classe enquanto os outros vão de "segunda classe". Quanto aos outros dois partidos, não é o propósito deste artigo fazer deles propaganda eleitoral.

E EM DAVENPORT?

Os meus leitores habituais, terão ao longo dos anos tomado conhecimento da forma como eu me preocupo a dificuldade que se nos depara, de por um lado necessitarmos de ter luso-canadianos no parlamento, mas ao mesmo tempo não queremos dar o nosso vo-to a um candidato que irá ajudar a eleger um governo, que nos irá meter nas guerras americanas, criar um sistema de saúde para os ricos e outro para os pobres, cortar na educação, assistência social e até nos nosso direitos cívicos.

Também estarão lembrados que como eu me refiro com inveja aos indo-canadianos, que em certas áreas do país como na Columbia Britanica, conseguem ter candidatos por todos os partidos, incluindo a Aliança tradicionalmente contra os imigrantes e as minorias, conforme foi afirmado num momento de expontânea sinceridade, pelo seu líder o Sr. Harper.

Agora em Davenport, já não há dúvidas, vote-se Li-beral, NDP ou Conservador/ Aliança, todos os candidatos são luso-canadianos. Devo acrescentar, que conheço os três há muitos anos, considero-os todos como amigos, e são na minha opinião pessoas sinceras, honestas e dignas do lugar de membros do parlamento do Canadá.

Claro que a minha opinião



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Toronto,
17/maio/2004
Edição 830
ANO XXV

 

   
     Escreveu
    Dr. M. Tomás Ferreira

   

   


 

 

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